terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O azarado otimista



Desde pequeno parecia que a falta de sorte o perseguia. Foi o último de 6 irmãos e o único que não pode ser amamentado porque a mãe não teve  leite.

Nas brincadeiras com os meninos da vizinhança era sempre o último a correr e o primeiro a levar a bronca. Se a meninada jogava pedra em uma casa de abelhas, era diretamente nele que as moradoras furiosas descontavam a ira.
Nas merendas especiais da escola, o sonho de goiabada ou o cachorro quente sempre acabavam na criança anterior da fila.
A ponte de tronco feita pela garotada para atravessar o pequeno córrego sempre desmoronava na vez dele atravessar. Os brinquedos quebravam na sua mão.
Na adolescência nem tentava ir à shows porque na sua vez os ingressos sempre tinham “terminado de acabar”.

As namoradas sempre o trocavam assim que conheciam seus amigos.

Apesar de tudo era uma pessoa extremamente otimista. Para todo e qualquer infortúnio havia sempre uma frase positiva em seus lábios ou pensamentos. “Não era pra ser” ou “foi melhor assim”, “poderia ter sido pior”, “ainda bem que não aconteceu nada mais grave”, “eu nem queria tanto assim”.
E assim se tornou um adulto azarado, meio atrapalhado, mas de pensamento positivo. Daqueles que sempre dizem que o copo está meio cheio.

Um dia, depois de muita análise, resolveu comprar um consórcio diretamente na concessionária. Negócio seguro, sem risco de ser passado pra trás e de não dar conta dos juros.

Depois de 60 meses foi retirar o carro. Nem houve sorteio pois ele foi o último do grupo a receber o bem. Saiu da loja dirigindo o carro novo, com todas as prestações quitadas. Devagar, parando em todos os semáforos, mesmo nos abertos. Numa dessas paradas, a três quarteirões de casa,  dois assaltantes  armados renderam-no e levaram o carro.

A família toda ficou alvoroçada. Apesar de acostumados a tanta falta de sorte não puderam deixar a indignação passar. “É muito azar!” “Além do fato de ter saído ileso do encontro com os bandidos, te desafio agora a fazer algum comentário positivo dessa situação”

A resposta veio na maior calma possível “Mas poderia ter sido pior. Já pensou se eu tivesse sido o primeiro no sorteio do consórcio? Teriam me roubado o carro e eu ainda ficaria com 59 parcelas para pagar”

1 comentários:

Dias a Dois disse...

KKKKK
Ah menina, do jeito que sou, se isso acontecesse comigo eu tava de cama até hoje!
E obrigada pelo "arrasou" no vestido... mas devo adverti-la que as fotos são de antes da comilança.... kkkkkk

Beijocas